Deputados divergem quanto à situação financeira do Estado
O deputado Raul Henry (PMDB) fez uma análise, ontem, das matérias publicadas na última sexta-feira, na Folha de Pernambuco e Jornal do Commercio sobre o encontro do governador eleito, Eduardo Campos (PSB), com a futura bancada governista. Para o parlamentar, existe uma "aparente contradição" entre os dois veículos, uma vez que a manchete da Folha diz "Bancada faz avaliação estarrecedora" enquanto o JC afirma que "Contas mostram Estado longe do desequilíbrio". "O JC não ouviu a futura bancada governista, mas mergulhou nos números apresentados pela comissão de transição", disse.
De acordo com o parlamentar, os números são claros e não permitem subjetivismo. "Eles são implacáveis", frisou, fazendo uma comparação entre os dados apresentados pela atual comissão de transição e os do início do Governo Jarbas, como o déficit orçamentário. "Em 1998, o déficit era de 23%, já no ano passado o Estado teve um superávit de R$ 116 milhões", declarou, citando, ainda, o déficit financeiro e a receita corrente líquida. "A poupança corrente líquida, em 1998, era negativa em R$ 269 milhões. Em 2005, ela foi positiva em R$ 734 milhões e, até agosto deste ano, o saldo era positivo em R$ 997 milhões", informou.
Em apartes, Sílvio Costa (PMN), Isaltino Nascimento (PT), João Fernando Coutinho (PSB) e Pedro Eurico (PSDB) também se pronunciaram. Para Costa, o atual Governo duplicou a dívida ativa, mesmo tendo o dinheiro extra de R$ 2 bilhões da venda da Celpe. "Há oito anos, a dívida ativa era R$ 2,8 bilhões e, hoje, é de R$ 5 bilhões", contestou, acrescentando que os números apresentados por Henry são "maquiados".
"O Estado vai fechar o ano com o caixa negativo", disse, comentando o projeto do Governo que tramita na Casa transferindo pagamento de dívida para o próximo ano. "Se existe dinheiro, por que não paga?", indagou. Henry rebateu, alegando que Costa estava misturando déficit orçamentário com déficit financeiro. O peemedebista também explicou que o dinheiro da Celpe foi usado em investimentos no Porto de Suape, Aeroporto dos Guararapes e BR-232, entre outras ações.
Nascimento e João Fernando Coutinho cobraram, entre outros itens, transparência nas contas do Estado. "Não podemos ter certeza dos números apresentados, só vamos saber se são verdadeiros com o processo de transição", argumentou o petista, que também criticou a falta de acesso dos parlamentares à senha do Sistema Integrado de Administração Financeira para Estados e Municípios (Siafem). "O Governo não explicou, por exemplo, os investimentos do Programa de Desenvolvimento de Pernambuco (Prodepe). Muitas empresas beneficiadas não cumprem com suas obrigações sociais", observou Coutinho, citando alguns pedidos de informações de sua autoria que ficaram sem resposta do Executivo Esta-dual. Segundo Eurico, "Men-donça Filho (PFL) vai entregar Pernambuco muito melhor do que imaginam".