Salão de Artes Plásticas abre espaço para novos talentos

 

O Salão de Artes Plásticas de Pernambuco inaugurou, no Museu de Arte Contemporânea, a segunda exposição dos projetos de pesquisa premiados na 46a edição do evento. A mostra, com trabalhos dos bolsistas Cristina Ribas, Fernando Peres e Jeanine Toledo, permanece aberta ao público até 8 de outubro. O 460 Salão, promovido pelo Governo de Pernambuco, distribuiu 17 bolsas de pesquisa nas áreas de fotografia e artes plásticas. Até o final do ano, haverá outras três exposições coletivas com trabalhos dos demais bolsistas.

 

Os trabalhos desenvolvidos por Cristina Ribas, Fernando Peres e Jeanine Toledo trazem em comum o comprometimento com suas próprias referências. Por meio de instalações (Cristina e Peres) e objetos (Jeanine), eles levantam questões relacionadas às balizas da criação artística, elegendo e classificando seus interesses. “O artista é um agente catalisador e catalogador. É um sujeito que faz sua seleção, sua curadoria”, observa Cristiana Tejo, curadora da exposição. Para ela, a arte tem uma relação cada vez mais direta com a vida. “A noção de que estamos vivendo num mundo sem fronteiras, onde tudo é possível, implica a idéia de que só é possível criar a partir da sua própria subjetividade”.

Nascida em Maceió, mas recifense por adoção, Jeanine Toledo tece a sua própria árvore genealógica em Gerar, Parir, Regerar. Tendo sua poética como ponto de partida, ela selecionou oito artistas com os quais identifica pontos de interseção. Para cada um deles, criou um livro. Com cada um deles, estabelece um diálogo. Tornando explícitas suas referências no processo de criação, ela encontra uma maneira de afirmar: nada surge do nada. “É uma atitude de não negar suas afinidades”, afirma.

O formato livro de artista, escolhido por Jeanine, dá unidade ao trabalho. “A grande maioria dos livros que criei são manipuláveis como um livro tradicional. Praticamente são todos compostos por formas e textos. Alguns têm citações, usei bordados, crochés, pintura. O livro que aborda o trabalho de Eva Hesse, por exemplo, trabalha com a idéia da desintegração. Este vai ficar imerso na água, desmanchando-se aos poucos”.

Gaúcha radicada no Rio de Janeiro, Cristina Ribas apresenta dois trabalhos independentes: Serviço Público e Arquivo de Emergência. No primeiro, refaz seu caminho pelo Recife até a descoberta do extinto Cine AIP. A sala, que nos anos 70 oferecia uma programação alternativa de qualidade no 13° andar do prédio da Associação de Imprensa de Pernambuco (AIP), no centro do Recife, teve destino idêntico ao de dezenas de cinemas de bairro, cedendo espaço para filmes pornográficos. A instalação criada pela artista faz uso de vídeos e inclui uma maquete do prédio da AIP.

Cristina, que já explorou o tema dos cinemas de bairro em trabalhos anteriores, diz que a primeira coisa a lhe chamar a atenção foi a arquitetura modernista do prédio.

“Fui até o Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB) para descobrir quem o projetou. Um dos vídeos que produzi, por sinal, é uma conversa fictícia minha com o arquiteto.” Além da exposição no Museu de Arte Contemporânea, ela preparou ainda uma intervenção em uma sala do 11° andar do prédio da AIP, onde o cinema funcionou nos anos 70. Em uma das janelas, Cristina instalou uma tela, que ficará iluminada durante a noite, criando a impressão aos que estão na rua de que há uma projeção em curso.

Já para compor Arquivo de Emergência, Cristina investiu exclusivamente na pesquisa, montando um catálogo com cerca de 40 trabalhos de arte contemporânea realizados nos últimos seis anos. O ponto em comum entre todos é a preocupação de utilizar a arte para pensar a própria arte. Todo o material é impresso e estará catalogado sobre uma mesa, com cadeiras para o público sentar e poder consultar com tranqüilidade. “Cada ficha funciona como um índice para a produção. Os textos procuram abrir o campo de leitura das obras”, destacou Cristina.

O carioca Fernando Peres instalado em Olinda há quase dez anos, por sua vez, reuniu cadernos escolares, fotos de infância, exames médicos, imagens domésticas, anotações e outros registros para compor Esperando a Manifestação do Suco de Caju. O resultado é uma grande instalação auto-retrato, que ele pretende destruir no decorrer da exposição.

“O título do projeto, na verdade, é uma desculpa para fazer qualquer coisa a partir disso”, confessa Peres. Ele preparou sete ensaios em vídeo abordando os seguintes temas: Infância, Mulheres Recortadas, Zoologia, Cotidiano, Agendas,

O Espaço, Autoflagelação e Cotidiano: a menor casa de Olinda. As imagens são projetadas em três telões, quatro televisores de 29’’ e cinco de 14’’. Tudo é reunido em uma sala pintada de vermelho com todo tipo de informação visual e textual que ele acumulou penduradas do teto.

Serviço

2a Exposição bolsa-prêmio do 46° Salão de Artes Plásticas de Pernambuco - Cristina Ribas, Fernando Peres e Jeanine Toledo - Local: Museu de Arte Contemporânea de Pernambuco (Rua 13 de Maio, 157. Carmo - Olinda/PE. Tel: 3429.2587). Visitação: Até o dia 08 de outubro - Horário: De terça a sexta: das 9h às 17h. Sábados, domingos e feriados: das 13h às 17h. Entrada gratuita.