Prevenção é saída para doenças com origem na água e alimentos

 

Para discutir casos de doenças transmissíveis pela água e pelos alimentos que acometem a população, a Secretaria de Saúde promoveu o I Seminário Estadual sobre a Vigilância das Doenças de Transmissão Hídrica e Alimentar de Pernambuco.

 

O evento marcou a abertura da semana de treinamento para funcionários da saúde que lidam com o tratamento de doenças transmitidas através da água e dos alimentos. Em Pernambuco, cólera e dengue são os exemplos mais comuns de males causados por bactéria e vírus e que podem ser transmitidos às pessoas através da água ou dos alimentos. Dados do Ministério da Saúde indicam que é no Nordeste onde ocorre maior incidência dessas doenças. Isto acontece não pela falta de orientação à população, mas porque, como o grau de pobreza na região é elevado, as más condições de higiene favorecem a proliferação dos casos.

Para a coordenadora federal da Vigilância Epidemiológica das Doenças de Transmissão Hídrica e Alimentar, Rejane Maria Alves, que ministrou palestra no encontro, “é possível diminuir bastante as estatísticas negativas se os casos que chegam às unidades de saúde sejam melhor investigados pelos profissionais de epidemiologia”. Segundo ela, “o programa de Monitoração das Doenças Diarréicas Agudas é uma poderosa ferramenta à disposição dos pesquisadores para o combate a essas formas de contaminação. Ocorre que muitas vezes, um surto em um município não chega a nossos ouvidos por questões políticas ou, simplesmente, por falta de iniciativa dos profissionais em nos reportar os casos registrados”, destacou.

Seguindo a linha de “defesa da integração” daqueles que atuam na área de vigilância sanitária, o pesquisador de viriologia do Instituto Oswaldo Cruz, José Paulo Leite, destacou que muitas vezes os profissionais ignoram uma diarréia aguda quando os pacientes têm alta e, por isso, os pesquisadores nem sequer têm acesso a um caso que poderia trazer novidades para os trabalhos científicos que buscam sempre formas mais eficazes de combater vírus e bactérias. “Em crianças menores de cinco anos, as doenças diarréicas agudas matam menos apenas que as respiratórias agudas. Portanto, quanto mais informações tivermos sobre elas, mais munição teremos para enfrentá-las”, disse.

Controle - Durante o encontro, a coordenadora estadual da Vigilância Epidemiológica, Evandi Ferreira, apresentou dados relativos a Pernambuco. Mostrou que não basta controlar um surto. É necessário sempre estar investigando. “Em 2004, quando tudo parecia controlado, tivemos um surto de 21 casos de cólera em São Bento do Una, um município que até então não tinha qualquer histórico de surtos”, exemplificou.

A diversidade dos temas do seminário atraiu mais de 250 pessoas ao auditório do Praia Hotel, em Boa Viagem. O profissional da Secretaria de Saúde de Belém de Maria, na Zona da Mata, Antônio Tomé saiu de sua cidade às 6h para chegar a tempo de assistir à abertura do seminário. “Fui convidado pela III Geres e não quis perder a oportunidade de ampliar meus conhecimentos”, afirmou Tomé, funcionário da área de saúde há 20 anos.

O secretário Gentil Porto, que abriu o seminário ao lado dos palestrantes José Paulo Leite, Rejane Maria Alves, Zuleide Wanderley (gerente geral da Vigilância Sanitária), Everaldo Rezande (representante da Funasa) e Romildo Assunção (gerente da Epidemiologia/SES), ressaltou “a importância da disseminação do conhecimento agregado e classificou os profissionais da saúde como guardiões da sociedade”.