Cidadania propõe acordo entre médicos e Estado
Profissionais pediram demissão alegando falta de estrutura e baixos salários
Intermediar uma negociação entre a classe médica e o Governo do Estado é o que pretende fazer a Comissão de Defesa da Cidadania da Alepe. A decisão foi anunciada, ontem, durante a reunião extraordinária do colegiado. A crise na saúde se agravou, na última sexta-feira (20), quando alguns médicos da rede pública pediram demissão. Eles alegam falta de condições de trabalho e defasagem salarial. A medida provocou superlotação nas principais emergências dos Hospitais da Restauração, Getúlio Vargas e Otávio de Freitas.
A presidente da Comissão, deputada Terezinha Nunes (PSDB), e os deputados Maviael Cavalcanti (DEM) e Antônio Moraes (PSDB) sugeriram ao vice-presidente do Sindicato dos Médicos de Pernambuco (Simepe), Antônio Jordão, e ao conselheiro do Conselho Regional de Medicina de Pernambuco (Cremepe) Ricardo Paiva que conversem com o secretário de Saúde, Jorge Gomes, para chegar a um entendimento. "O povo está sofrendo nas emergências. Vamos nos reunir com o presidente da Alepe, deputado Guilherme Uchoa (PDT), para intervir junto ao Governo, a fim de se chegar a um consenso", declarou Terezinha Nunes.
Jordão registrou que, na realidade, a categoria não está em greve. Segundo ele, os pedidos de exoneração são o resultado da falta de condições mínimas de atendimento. Ricardo Paiva revelou que, após uma avaliação feita em janeiro deste ano, verificou-se que os hospitais apresentam um débito com os fornecedores de cerca de R$ 60 milhões.
"A categoria exige do Executivo a elaboração de um cronograma para solucionar problemas como a falta de medicamentos, leitos e alimentação nos hospitais, a escassez de profissionais, equipamentos e laboratórios. Também achamos necessária a abertura de concurso público para recompor o quadro de profissionais", informou Ricardo Paiva. Ele disse ainda que a classe não se intimidará com os processos movidos pelo Executivo Estadual.
De acordo com matérias veiculadas pela imprensa local, o procurador-geral do Estado, Tadeu Alencar, anunciou que o órgão já ingressou com uma ação civil na sexta vara da Fazenda Pública Estadual contra 36 especialistas, solicitando o retorno ao trabalho, no prazo de 30 dias. O deputado Esmeraldo Santos (PR) participou do encontro.