Desertificação acelerada preocupa

 

Um alerta sobre o acelerado processo de desertificação que atinge os municípios do Sertão do Araripe foi feito pela deputada Izabel Cristina (PT). De acordo com a parlamentar, o fenômeno ocorreu com maior intensidade nos últimos 30 anos por causa da retirada indiscriminada de madeira da caatinga para alimentar as calcinadoras no processamento da gipsita. "Ouricuri, Trindade, Bodocó e Araripina têm muito pouco de sua vegetação nativa. A fauna escassa compõe o cenário de completo desequilíbrio ambiental", acrescentou. A petista lembrou que o Araripe apresenta grandes contrastes, pois possui recursos e vocações ainda não explorados, mas também um quadro marcado por problemas estruturais. "Do Araripe sai a segunda maior produção de mel de abelhas de Pernambuco, a região tem um dos maiores rebanhos de caprinos do Nordeste e é responsável por 90% do gesso no mercado nacional. Isso contrasta com terras nuas e muito quentes como de um grande deserto, resultado da extração da madeira, principal matriz energética da produção do gesso", lamentou. Para ela, não é mais possível insistir numa produção industrial que resultou na exaustão das matas. Segundo o Ibama, somente em 2006 houve a destruição de 65 mil hectares de mata para alimentar as calcinadoras. "Combater o desmatamento e propor alternativas para suprir as demandas das fábricas em relação às fontes de energia de baixo custo é prioridade de Governo Federal. Nesta perspectiva, torna-se necessária recomposição da flora da caatinga e a elaboração de um plano que preserve a natureza e gere renda. Esta semana, está sendo realizado, em Araripina, o 1º Encontro para a Construção do Plano de Desenvolvimento Florestal do Araripe, uma oportunidade de fomentar o desenvolvimento sustentável", salientou. O plano é iniciativa dos Ministérios da Integração e do Meio Ambiente em parceria com o Governo Estadual. Os deputados Bringel (PSDB) e Teresa Leitão (PT) apartearam a parlamentar. Para Bringel, uma das alternativas é o incentivo do Governo à plantação de eucalipto, caju e algaroba, a fim de garantir a manutenção das empresas gesseiras. Teresa afirmou "ser possível conviver com a geração de emprego e renda, produzir e socializar riquezas dentro de uma concepção que preserve o meio ambiente, valorize o trabalhador como ser humano e integralize a região em uma concepção mais ampla de desenvolvimento".