Jovens que viviam na rua são resgatados pela arte

 

 

Show de arte e cultura reuniu no espaço cultural do Nascedouro de Peixinhos mais de mil alunos das cinco unidades do Centro de Assistência e Proteção Social à Juventude - Centro da Juventude.

 

 

Protagonizado por alunos dos cursos de música, dança, percussão, teatro de bonecos, artesanato, o Festival de Talentos proporcionou aos alunos uma tarde de confraternização e lazer. Eles integram as diversas unidades do programa. Os jovens tiveram a oportunidade de expor o que aprenderam e produziram durante os cursos oferecidos nas áreas de arte e cultura.

Teatro de mamulengo, danças afros, caribenha, hip-hop, funk, e do folclore regional, animadas pelo grupo de percussão, além de vídeos, garantiram o colorido do espetáculo de palco. No espaço cultural, destaque, também, para exposição de bijuterias, bordados, crochê, costumização em roupas, bolsas e sandálias, artesanato em ladrilhos, caixas e peças decorativas, entre cortinas, abajures, pufes e cadeiras, elaborados a partir de material reciclado - jornal, revistas, garrafas pet, discos em vinil - revelavam a criatividade dos jovens artistas. Uma barraca de doces e salgados, feitos por alunos do curso de panificação, movimentava o evento.

“Mais que um festival de talentos, o que estamos vendo aqui é a expressão do novo projeto de vida de jovens que viviam em situação de rua, expostos ao perigo das drogas e da marginalidade e que, através das manifestações culturais, estão resgatando o direito de exercer a cidadania e ter uma vida digna”, disse o secretário -executivo de Assistência Social, Acácio de Carvalho, representando o secretário de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos, Roldão Joaquim.

O grupo de comunicação, da unidade de Santo Amaro lançou, durante o evento, a quarta edição do Caderno da Juventude, um jornalzinho que circula pelas unidades com entrevistas, eventos, lazer, notícias diversas sobre saúde e prevenção, a doenças, despertando o interesse dos alunos pela leitura. “A experiência foi tão boa que os jovens fizeram campanha de arrecadação de livros na comunidade e hoje temos uma biblioteca com mais de 3 mil peças”, disse o instrutor Fernando Chile.

 

Talento e criatividade - Para Amanda Priscila, 21 anos, aluna do núcleo de Cajueiro Seco, só o talento não basta. É preciso desenvolver a criatividade. “Cheguei aqui sem nenhuma experiência, apesar de apreciar a arte. por meio do curso, desenvolvi minha criatividade, aprendi a utilizar as cores de forma mais coerente, e a fazer algo mais elaborado, com mais qualidade”.

O jovem Jonatha Silva, 20 anos, disse que se inspira na cultura chinesa para produzir peças. “As figuras, símbolos e letras do alfabeto chinês sempre me chamaram a atenção. Depois que descobri a beleza da arte, transfiro as idéias para as peças que elaboro. Isso me dá uma sensação de paz e equilíbrio”.

De acordo com a instrutora Andréa Alves, ambiente de trabalho adequado é muito importante na hora da criação. “A maioria dos nossos jovens tem um referencial que os inspira - Leonardo da Vinci, por exemplo - e trabalham sempre ao som de música clássica que ajuda na concentração. Isso tem contribuído para os bons resultados”.

O Centro da Juventude é coordenado pela Secretaria de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos, e atende 1.450 jovens, de 16 a 24 anos, em situação de risco social e pessoal.