Governo anuncia medidas para melhorar atendimento da rede pública de saúde

 

O vice-governador e secretário de Saúde João Lyra Neto anunciou ontem, em entrevista coletiva, medidas emergenciais para reduzir a superlotação nos grandes hospitais. Quatro hospitais privados foram contratados para oferecer cirurgias em traumato-ortopedia.

 

Por conta da greve de 10 clínicas, causada pela paralisação das particulares conveniadas ao SUS, há um acúmulo de 133 pacientes nos três grandes hospitais - Restauração, Getúlio Vargas e Otávio de Freitas - que necessitam de cirurgias de média complexidade.

Pelo convênio firmado com os hospitais SOS Mão, D´Ávila, Clínica Ortopédica de Acidentados e Hospital de Ortopedia e Fraturas, foram pactuadas 300 cirurgias de fraturas, com repasse total de quase R$ 300 mil. Já a partir de hoje, começam as transferências, que valem apenas para pacientes que já estão nas três emergências e são referenciadas pela Secretaria Estadual de Saúde. A expectativa é que, em 10 dias, a demanda seja desafogada, liberando os leitos dos hospitais públicos para o atendimento de alta complexidade.

Embora não caiba ao Estado o reajuste da tabela do SUS, e sim ao Ministério da Saúde, o Governo está estudando uma maneira de complementar a tabela. “Estou estudando uma alternativa de complemento em caráter emergencial e provisório” explicou Lyra, adiantando que o Governo não vai ficar inerte diante de uma situação tão grave. “Vamos adotar todas as medidas possíveis, dentro do limite da lei, do ajuste fiscal e do respeito ao usuário. Nesse momento, apelamos também para o bom senso dos profissionais, porque a solidariedade humana é mais importante que perdas financeiras”, disse.

Nova estrutura - Durante a entrevista, Lyra detalhou as diretrizes que vão compor o novo projeto para a saúde pública em Pernambuco. A mudança será no quadro organizacional dos seis grandes hospitais de alta complexidade Restauração, Getúlio Vargas, Otávio de Freitas, Agamenon Magalhães, Barão de Lucena e Regional do Agreste, que passarão a ter um diretor geral (médico ou não) e mais quadro gerências - administrativo-financeira, técnica, manutenção e suprimento. “Queremos ter maior controle e melhorar a qualidade dos gastos, que são enormes. Somente no HR foram investidos mais de R$ 100 milhões em 2007. Hoje, não há um engenheiro responsável para cuidar das instalações elétricas ou hidráulicas de um hospital. São essas questões que queremos resolver”, detalhou.

Os novos cargos foram aprovados pela Assembléia Legislativa e já estão sendo selecionados, num total de 37. O mesmo número será encaminhado às secretarias de Educação e Defesa Social. Essa seleção simplificada deve ser concluída até 10 de julho. Os contratos são por 6 meses, podendo ser prorrogados pelo mesmo período, com salário de R$ 2,2 mil.

Em agosto será lançado edital de concurso público para contratação de 700 profissionais com formação ou especialização em administração para atuar em cargos de gerência nas três secretarias. Os aprovados, que começam a trabalhar entre o final deste ano e o início de 2009, receberão salário de R$ 2,2 mil, que pode ser dobrado devido a uma gratificação por produtividade.

 

Médicos cedidos - O vice-governador deixou claro que acha justa a reivindicação por melhores salários e que fará, dentro do limite fiscal, o possível para equiparar os salários dos profissionais de todas as especialidades médicas aos neurocirurgiões, que atualmente ganham cerca de R$ 5 mil, enquanto os demais recebem R$ 3,2 mil por dois plantões semanais. A equiparação só valerá, porém, para os médicos que trabalham nos serviços de alta complexidade.

No entanto, frisou que só fará concurso público para profissionais de Saúde quando terminar um censo sobre a situação do quadro. Hoje, há 24 mil servidores no quadro, sendo 4.927 médicos. “Desses médicos, 1.608 estão cedidos a outros órgãos, como prefeituras. Queremos saber a situação de cada um. Se o órgão justificar a necessidade desse profissional, terá de pagar seu salário. Hoje, o Estado paga 100% desse salário sem contar com o serviço”, disse.

“Estou estudando uma proposta e queremos que todos os servidores, não só os médicos, tenham melhores salários. Mas exigimos que todos cumpram sua carga horária. Para isso, estamos implantando um software que nos permitirá o controle de horários dos funcionários, da entrada de pacientes e dos gastos hospitalares. Estou buscando modelos das melhores empresas de consultoria do Brasil para fazer isso”, detalhou.