CPRH faz palestra sobre salinização de poços artesianos no Recife

 

A Agência Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos - CPRH realiza, hoje, às 15h, na sua sede, em Casa Forte, a palestra “Resultados do estudo de identificação de causas de salinização de poços artesianos no Recife”, ministrada pelo geólogo Waldir Duarte. A programação integra as comemorações do Dia Mundial da Água, cujas atividades estão sendo realizadas em parceria com as Secretarias Estaduais de Ciência, Tecnologia e Meio Ambiente - SECTMA e de Recursos Hídricos - SRH, além da Compesa, Espaço Ciência, Itep e Companhia Independente de Policiamento do Meio Ambiente - Cipoma. O estudo que será apresentado foi solicitado pela CPRH à Costa Consultoria Ambiental, através de convênio firmado com o Ministério da Integração Nacional e realizado no período entre agosto de 2006 e novembro de 2007. Foram analisados 305 poços, em duas áreas do Recife, definidas como Zona Norte, compreendendo os bairros de Ilha do Leite, Coelhos, Boa Vista, Soledade, Paissandu, Derby, Ilha do Retiro, Afogados e Joana Bezerra e Zona Sul, atingindo os bairros do Pina, Brasília Teimosa, Cabanga e norte de Boa Viagem. As áreas foram selecionadas através dos dados de poços cadastrados pela CPRH e pelo Estudo Hidrogeológico de Recife, Olinda, Camaragibe e Jaboatão - Hidrorec II, realizado pela Secretaria de Recursos Hídricos, entre 2001/2002 e que, na época, já apontavam início de salinização. Através da permissão dos proprietários dos poços para fins de pesquisa, foram realizadas medições e análises para avaliar o nível do aqüífero - lençol d'água subterrâneo - além de análises físico-químicas, bacteriológicas e de sólidos totais dissolvidos (sais), para avaliar se a água utilizada estava de acordo com os padrões de potabilidade para consumo humano estabelecido pela Portaria 518/GM, de 25/3/2004, do Ministério da Saúde. Os resultados apontaram, entre o universo de 305 poços da pesquisa, que pelo menos 25 poços localizados nos bairros da Boa Vista, Paissandu, Soledade, Coelhos, Ilha do leite, Boa Viagem e Pina apresentaram-se salinizados, ou seja, com análises apresentando acima de 500mg/L de sólidos totais dissolvidos em cada amostra, limite acima do máximo permitido pela legislação. De acordo com o estudo, “as causas principais da salinização dos aqüíferos na área estudada são a má construção do poço e a captação da água acima da capacidade de suporte recomendada pelo órgão ambiental e pela Secretaria de Recursos Hídricos”. Os poços inativos e impróprios para consumo devido à salinidade devem ser isolados através de cimentação, utilizando os procedimentos técnicos recomendados no relatório de pesquisa, evitando expansão da salinização dos aqüíferos, o que inviabilizaria a perfuração de novos poços nas áreas estudadas. Em outubro de 2007, o poço do edifício Camaçari, no bairro da Boa Vista, foi o primeiro a ser cimentado por conta da salinização, pela equipe de pesquisadores. A proposta técnica utilizada no isolamento, incluindo a metodologia e o tipo de cimento, serviu de experiência piloto. O relatório final do estudo, que está sendo entregue à Agência CPRH esta semana, recomenda que o órgão ambiental solicite aos proprietários o isolamento dos poços artesianos, em atendimento ao que dispõe à Lei nº 11.427/97, art. 40, parágrafo 10, estabelece que “os poços abandonados ou em funcionamento que estejam acarretando poluição ou representem riscos ao aqüífero, e as perfurações realizadas para outros fins que não à extração de água, deverão ser adequadamente cimentados de forma a evitar acidentes, contaminação ou poluição dos aqüíferos”. A proposta técnica de isolamento dos poços deverá ser aprovada pela CPRH e submetida ao Conselho Estadual de Recursos Hídricos, uma vez que não existe no Brasil normatização para o isolamento total de poços profundos. A palestra é aberta ao público e o auditório da Agência tem capacidade para 40 pessoas.