Acordo entre Caixa e Compesa volta à AL

 

As declarações do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), sobre as negociações entre a Compesa e a Caixa, anteontem, no Recife, repercutiram no Plenário. Ontem, a deputada Terezinha Nunes (PSDB) defendeu o ex-governador e senador Jarbas Vasconcelos (PMDB), acusado por Lula de não aceitar o acordo proposto para refinanciar a dívida contraída em 1999. “O presidente Lula, que tem se caracterizado pelo destempero nos discursos feitos para platéias petistas em todo o País, chegou às raias da irresponsabilidade”, avaliou. O líder do Governo, deputado Isaltino Nascimento (PT), rebateu: “Jarbas, na época, tentou privatizar a Compesa ao receber antecipadamente R$ 190 milhões da Caixa pela venda da entidade, porém, como a Constituição Federal não permite, o negócio não foi realizado e a dívida chegou a R$ 330 milhões”, explicou o petista. De acordo com Terezinha, Lula quis se livrar da acusação que discriminou Pernambuco, não aceitando a transação feita entre o Estado e a Caixa, que resultou na compra de parte das ações da Compesa pela instituição financeira. “A venda das ações, realizada no Governo FHC, foi uma operação aprovada por esta Casa, pelo Tribunal de Contas, pelo Banco Central e pela Comissão de Assuntos Econômicos do Senado”, frisou, acrescentando que o Estado não ficou sem obras de abastecimento por conta da operação. “A preço de hoje, o Governo passado empregou R$ 900 milhões no Programa Águas de Pernambuco”, exemplificou. A deputada também criticou Lula por não citar o ex-governador ao se referir sobre a instalação do estaleiro da Camargo Corrêa e da Refinaria Abreu e Lima, em Suape. Isaltino Nascimento lembrou que o governador Eduardo Campos (PSB) conseguiu negociar junto à Caixa a retirada do Estado do Cadastro de Inadimplência (Cadin). “Durante oito anos, os pernambucanos foram prejudicados, pois não recebemos recursos para saneamento e construção de casas populares”, destacou, acrescentando que os acordos assinados, esta semana, entre os Governos Federal e do Estado, puseram fim à questão. Foram mais de R$ 30 bilhões. Para o deputado, em seu discurso, Lula quis apenas destacar a habilidade política do governador para resolver o impasse com a Caixa. Segundo Nascimento, a refinaria e o estaleiro não foram obras de Jarbas. “O estaleiro seria alocado no Espírito Santo, se não fosse a intervenção política do presidente”, esclareceu. Ele disse ainda que, na gestão de FHC, o vice-presidente da República era o pernambucano Marco Maciel que não conseguiu trazer a refinaria para o Estado. “Eles tiveram oito anos e nada fizeram”, observou. Em apartes, Maviael Cavalcanti (DEM) e Pedro Eurico (PSDB) também se pronunciaram. “O presidente agrediu o senador de forma grosseira”, destacou Eurico. “Infelizmente, Lula tem carisma e a população não enxerga o desmando em seu Governo”, alegou Maviael.