Estudantes exercem papel de deputados em Brasília
Quatro estudantes da rede estadual de ensino representam Pernambuco na Câmara Federal, em Brasília, até a próxima sexta-feira. Concluintes do ensino médio, cada um deles elaborou um projeto que foi enviado à instituição e submetido à avaliação de uma comissão de consultores legislativos. Os alunos concorreram com outros colegas da rede estadual e privada e foram selecionados para a 5a edição do Programa Parlamento Jovem. Ao todo, 78 jovens das 27 unidades federativas estão em Brasília, com o mesmo fim.
Os “jovens deputados”, além de apresentar suas proposições estão desempenhando as atividades diárias de um parlamentar como debates e todo o processo de aprovação das propostas. Maria Clécia Douzinho, de 17 anos, estudante da Escola Estadual Coronel Manoel de Souza Neto, resolveu falar de cidadania. Ela quer que as crianças e jovens de Manari - cidade do Sertão que apresenta o IDH - Índice de Desenvolvimento Humano mais baixo do País, conheçam os seus direitos.
Numa cidade em que os jovens têm poucas perspectivas, ela propõe uma lei que institua a disciplina de Direitos e Deveres. “Percebi que os estudantes desconhecem seus direitos e deveres e por isso muitas vezes sofrem abuso e discriminação. Acredito que se eles estudarem o conteúdo do Estatuto da Criança e do Adolescente - ECA - serão cidadãos mais conscientes capazes de identificar e evitar qualquer tipo de violação”, disse a aluna sertaneja.
Suenay Batista de França, 17 anos, também se preocupa com o futuro dos jovens e aposta na educação como solução. Ela elaborou um projeto de escola em tempo integral para o ensino fundamental e nível médio, com aulas culturais e de educação profissionalizante. “A falta de oportunidade é muito grande. Por isso temos que assegurar ensino profissional. A escola pode oferecer cursos de fácil absorção no mercado, como telemarketing e informática”, ressaltou Suenay, que estuda na Escola Padre Nércio Rodrigues, na Linha do Tiro, bairro do Recife onde mora com a mãe e dois irmãos.
Paulo Romário Calixto da Silva, estudante da Escola Dom Idílio José Soares, Ouricuri, no Sertão do Araripe, sugere, por sua vez, a proibição da caça amadorística ou profissional, em época de reprodução. Segundo ele, a idéia surgiu a partir da percepção de que a proibição expressa não tem evitado os prejuízos ambientais. Por isso, o jovem sugere a inclusão do inciso I, § 3o, art. 19 da Lei no 9.985 de 19/07/2000, determinando a total proibição, mesmo para aqueles que teriam permissão.
Já o estudante Geraldo Martins Oliveira Júnior, da Escola Estadual Desembargador João Paes, em Serrita, também no Sertão do Estado, elaborou um projeto de lei que assegura aos usuários de moto e ciclomotores o direito de receber, sem custo adicional, os capacetes como utensílio básico. “Quando compramos carros o cinto de segurança já vem incluso. O capacete é um equipamento de segurança, por isso deveria ser fornecido no ato da compra, gratuitamente”, explicou.
Parlamento Jovem 2007 - Três estudantes da rede estadual foram selecionados na edição do projeto no ano passado. Gilberlândio Francisco do Nascimento, 18 anos, da Escola Estadual Monsenhor Antônio de Pádua, em Afogados da Ingazeira, no Sertão, defendeu um projeto para garantir maior acessibilidade de jovens agricultores às linhas de crédito. Já o projeto do aluno Nikácio Adnner Tavares dos Santos, de 17 anos, da Escola Estadual Governador Barbosa Lima, no Recife, propôs cursos nas áreas de saúde, informática, meio ambiente e agricultura para as escolas quilombolas. Renata Maria Aquino da Silva, 16 anos, da Escola Estadual Professor Carlos Dias, em São José da Coroa Grande, propôs a criação de um núcleo de informação e apoio ao turista por meio do trabalho voluntário de alunos dos ensinos fundamental e médio das escolas de todas as redes de ensino.