Educação quer incentivar ensino da Filosofia e da Sociologia

 

Profissionais e deputados debateram sugestões para capacitar docentes

 

Propostas para formar e capacitar professores para as disciplinas de Filosofia e Sociologia, nas escolas do Ensino Médio, foram avaliadas, ontem, na audiência pública promovida pela Comissão de Educação e Cultura da Alepe. Coordenadores e professores dos respectivos cursos reivindicam mais vagas nas licenciaturas, querem especializações e cursos de formação continuada, com o objetivo de suprir a demanda. As matérias foram retiradas da grade curricular durante a ditadura militar, mas a sanção da Lei Federal nº 11.684, em junho deste ano, tornou obrigatória a inclusão das disciplinas nos currículos do Ensino Médio.

De acordo com a gerente de Ensino Educacional do Ensino Médio, que representou a Secretaria Estadual de Educação (Seduc), Cantaluce Lima, o Governo do Estado implementou as disciplinas na rede estadual de ensino em 2001. “Fizemos uma organização na grade curricular. Ofertamos Filosofia aos alunos do segundo ano científico, e Sociologia aos estudantes do terceiro ano”, explicou. A gerente de Ensino Educacional disse ainda que têm sido feitos investimentos nos professores, viabilizando a participação deles em cursos específicos. Ela concordou, entretanto, que é preciso mais incentivo para que haja mais professores nas disciplinas.

Para o coordenador de Mestrado do curso de Filosofia da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Alfredo Moraes, os professores da rede estadual deveriam se especializar na área. Ele disse que o curso está sendo reformulado para atender aos interesses da classe e anunciou que a UFPE promoverá um curso sobre a História da Filosofia.

Lady Selma Ferreira, que coordena o curso de Ciências Sociais da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), avaliou ser necessário melhorar a qualidade das licenciaturas de maneira geral. “O trabalho do sociólogo é baseado em estudos sobre as causas da desigualdade social no Brasil e no mundo”, destacou, acrescentando que existe um projeto no sentido de tornar a Sociologia mais atraente e próxima do cotidiano das pessoas, a partir da oferta de cursos de extensão.

Representante do Conselho Estadual de Educação, Cleidemar Barbosa chamou a atenção para as reformas curriculares com a retomada das disciplinas. “Essas matérias nos fazem refletir melhor sobre a formação dos cidadãos. As escolas da rede privada já ofertam as disciplinas, mas é necessário que haja um acompanhamento desses profissionais.”

A presidente da Comissão de Educação da Casa, deputada Teresa Leitão (PT), avaliou o encontro como positivo. Para a petista, a participação de representantes de diversas entidades enriqueceu o debate. “As propostas sintetizaram o papel de cada instituição. É preciso investir mais na formação continuada, oferecer cursos nas áreas de Filosofia e Sociologia e debater o currículo que interessa ao Ensino Médio de qualidade”, pontuou.