Centenário de Josué de Castro
Parlamento homenageia sociólogo reconhecido mundialmente
“Um homem interessado no espetáculo do mundo”. Assim se definia um dos principais escritores e humanistas brasileiros, o pernambucano Josué de Castro - autor dos livros Geografia da Fome e Geopolítica da Fome. Se vivo, amanhã o pensador estaria completando cem anos. Por essa razão, a Casa Joaquim Nabuco prestou uma homenagem, ontem à noite, ao médico, professor, sociólogo, geógrafo, embaixador da Organização das Nações Unidas (ONU) e deputado federal por dois mandatos - tendo sido o nordestino mais votado daquelas eleições. A solenidade, coordenada pelo presidente da Assembléia Legislativa de Pernambuco (Alepe), deputado Guilherme Uchoa (PDT), foi solicitada pela deputada Terezinha Nunes (PSDB).
O presidente do Poder Legislativo destacou a relevância daquele que foi um dos principais nomes na luta contra a fome e lamentou o exílio ao qual foi submetido à época da ditadura militar, quando foi obrigado a viver na França. “A tristeza e a frustração pela cassação de seus direitos políticos e pela punição injusta de não poder retornar à pátria resultaram na morte do grande batalhador”, comentou. Josué de Castro morreu em setembro de 1973, aos 65 anos.
Terezinha Nunes ressaltou o olhar diferenciado do homenageado, ao classificá-lo como um “homem bem maior que seu tempo”. Desde muito cedo, Josué de Castro - que dá nome às medalhas concedidas pelo Parlamento Estadual a personalidades e instituições com trabalhos de combate à fome - foi descoberto pelo mundo. “Ainda recém-formado em Medicina, pela Universidade do Brasil (atual Universidade Fluminense), trabalhou em centro de saúde de destaque nos Estados Unidos. A precocidade o fez encarar com seriedade temas que hoje são preocupação mundial”, lembrou, acrescentando que, “em homenagem a este grande humanista (indicado três vezes ao Nobel da Paz e com obras traduzidas para 35 idiomas), celebramos o centenário de seu nascimento”.
A filha do homenageado, a socióloga Anna Maria de Castro veio do Rio de Janeiro especialmente para a solenidade e destacou que a celebração trouxe de volta a importância do pernambucano. “É dever do povo zelar pela memória de seus pensadores. Portanto, a homenagem não poderia ter melhor lugar para ser realizada que aqui, na Casa do Povo”, enfatizou. Anna Maria recebeu do Legislativo uma placa comemorativa alusiva à data e o Plenário fez um minuto de silêncio em memória do humanista.
Completaram a mesa solene o secretário de Ciência, Tecnologia e Desenvolvimento Econômico do Recife, José Oto Oliveira - representando o prefeito da Capital, João Paulo - e a presidente do Centro Josué de Castro, Teresa Sales.